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O último – e único, até Wonder World – álbum completo do Wonder Girls foi lançado em 2007, no embalo do enorme sucesso que Tell Me conquistou. Contudo, depois de hits como So Hot e Nobody e a ida para os Estados Unidos, o grupo foi lentamente deixado de lado quando uma avalanche de novos girlgroups começaram a surgir. Sunmi deixou o grupo e foi substituída por Lim. 2 Different Tears não foi um comeback tão bom e as promoções foram rapidamente encerradas. Mas, felizmente, o Wonder Girls faz seu comeback com as honras merecidas e um álbum incrível, reclamando seu posto entre os melhores grupos que o K-POP já teve. Vamos ao review!

G.N.O abre o álbum com forte influência do Eurodance e uma mensagem clara: girls night out, só queremos dançar. E, sim, se G.N.O tocasse em qualquer casa noturna brasileira, tenho certeza que todo mundo ia se acabar dançando. Os vocais das meninas estão ótimos e conseguem seguir o ritmo rápido da música com louvor – poucas vezes os vocais ficam apagados em relação ao instrumental. Combinando a exposição das meninas à cultura e música ocidental por quase dois anos, mais o know how de JYP no mercado musical coreano e a habilidade do grupo em si (aliás, foi Ye Eun que compôs G.N.O!), você tem uma faixa fantástica como G.N.O. Um club anthem de primeira. Preciso dizer mais? Favoritíssima.

Acho muitas coisas de Be My Baby. E minha opinião sempre é conflitante. É obviamente a opção segura para um comeback: segue a linha dos hits anteriores, é uma música de performance fácil e coreografia memorável, tem a repetição clássica de versos que grudam, e o pé nos anos 60. Mas como todos os outros hits do Wonder Girls – exceto talvez, na minha opinião, 2 Different Tears – é completamente viciante e interessante de ouvir. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi como SoHee ganhou versos inteiros e, por incrível que pareça (nós sabemos que ela não é a bolacha mais talentosa do pacote), ela levou eles super bem. Ajuda que Be My Baby favorece a voz de todas elas. No final das contas, acho Be My Baby óbvia demais, mas não consigo odiar. É como odiar So Hot. Não dá.

[Be My Baby (Ra.D Mix) dá um ar todo do jazz para Be My Baby, sem perder o retrô. É uma boa pedida para quem não gostou muito do ritmo rápido e possivelmente irritante da original.]

Eu sempre quis que elas gravassem uma música parecida com aquele cover de Nothing On U para a Billboard e, felizmente, Girls Girls atendeu meu pedido. É uma faixa simples, com uma melodia fácil e memorável e um refrão brilhante – todas as meninas podem ser uma “wonder girl”, you, you and you can be the best girl in the end. Como não amar isso? Os acordes de violão que acompanham o ritmo dos versos dá um ar acústico à Girls Girls e eu adoraria ver ela ser apresentada ao vivo. É uma música que soa genuína e sincera, como se elas estivessem sentadas à sua volta sussurrando “você vai ficar bem” quando tudo parece dar errado. Um amor.

Me, In é um remake de The Beauty, música de 1974 do cantor Shin JungHyun. Enquanto eu não gosto de remakes na maior parte do tempo, devo dizer que Me, In ficou absolutamente fantástica. Os acordes originais e melodia ainda estão presentes na faixa, mas Ye Eun – que trabalhou na recomposição da faixa – fez um ótimo trabalho trazendo eles para dentro do contexto bem mais moderno e agressivo de Me, In. É um lado completamente novo do Wonder Girls e elas entregam Me, In com perfeição. É uma mistura de rock, pop e old-school K-POP que simplesmente dá certo. Favoritíssima.

Quando Sweet Dreams começou me senti transportada diretamente para o tempo que aqueles grupos pop Europeus – olá, S Club 7 – ainda tinham um lugar nas rádios. Segue os passos de G.N.O e se aventura abertamente no Eurodance, com uma melodia talvez um pouco menos agressiva do que a primeira. Sweet Dreams é um pop elegante, mas, sinceramente, não me chama tanta atenção quanto suas antecessoras.

Stop! continua com a influência do Eurodance e me lembrou das músicas encontradas no álbum mais recente do Aqua (Megalomania, recomendo!) com um twist de Natalia Kills em Love Is Suicide. Diferentemente de Sweet Dreams, que fica sem graça depois de um tempo, eu adoro Stop!. É upbeat e um pop de bom gosto, maduro e interessante. Os vocais estão fantásticos e não brigam com os sintetizadores do instrumental, o rap não ficou deslocado e acompanhou o contexto geral da música. Uma das favoritas.

Dear. Boy traz um pouco de R&B para o álbum. Com um tempo mais lento, vocais mais airados e uma melodia eletrônica levinha e melancólica, Dear. Boy é uma música fácil de ouvir. Pontos para os adlibs de Sunye e Ye Eun e Yoobin deixando um pouco o rap de lado para cantar no primeiro verso. É uma música que funciona, que segue uma linha bem óbvia e é boa dentro dessas limitações. Não é a melhor do álbum, mas é queridinha de ouvir.

Sunye e Ye Eun cantam o dueto R&B 두고두고 (Time And Again) magistralmente, se me permitem dizer. Apesar da faixa não ser muito inovativa ou até mesmo muito interessante quando se trata de base e instrumentais, Sunye e Ye Eun fazem de Time And Again uma faixa extremamente bonita só com os vocais. Se elas tivessem ganho uma faixa mais poderosa e dramática como o cover de When You Believe, nossa. Elas tem uma dinâmica muito parecida com a do Davichi – dois vocais talentosos que poderiam competir entre si, mas que quando colocados juntos em uma música simplesmente mostram tudo o que tem em acordo um com o outro. Uma pena que a construção de Time And Again é simplória demais para vozes tão fantásticas.

Outro dueto, desta vez entre Sohee e Yoobin, SuperB nos leva para um lado mais urbano da força. O pé no Eurodance ainda está ali nos sintetizadores e as vozes não estão ruins, não. SuperB é uma música boa, na realidade. Só é um pouco repetitiva, na minha opinião. Yoobin prova que poderia pegar alguns versos nas próximas title tracks do grupo em vez de sempre sobrar para o rap tranquilamente e Sohee até mostra uma melhora, apesar dos vocais estarem bem sintetizados. Gostei dos versos e da batida que lembra um pouco lançamentos de The Underdog Project, não gostei do refrão.

Act Cool (feat. San.E), solo de Lim, me lembra tanto How Low do Ludacris que não consigo ouvir ela sem começar a cantar a outra. Não sei se é a vozinha digitalmente modificada ou a batida do refrão, mas super me lembra. No mais, acho Act Cool uma bagunça que deu certo. A habilidade no rap da Lim não é tão ruim, mas a voz infantil dela definitivamente não combina com a mensagem de “eu sou melhor do que vocês”. Act Cool é uma bagunça, sim, mas acaba sendo interessante de ouvir. E temos que admitir: a menina tem swag.

Nu Shoes é uma das faixas que vai estar no filme americano das meninas e, por isso, é toda em inglês. Não sei se sou só eu, mas parece uma música de Natal que recebeu um remix moderninho. Principalmente no refrão. Enfim, uma música sobre sapatos deveria chamar mais a minha atenção, mas me vi perdendo o interessante bem rápido nela. Não é completamente ruim, só não é também uma obra de arte. Genérica, porém divertida. Pontos para o inglês delas, que ficou bem bom.

Sinceramente, Wonder World é um dos melhores álbuns lançados esse ano. É consistente e faz sentido. Basicamente catapulta o Wonder Girls de volta para o posto de um dos melhores girlgroups coreanos (da onde elas nunca deveriam ter saído, aliás). Não é só mais um álbum de k-pop, pois muitas dessas músicas fariam o mesmo sucesso em qualquer outro lugar do mundo. Todas as músicas foram bem produzidas – até as mais simples – e levadas pelas meninas bem o suficiente para nenhuma música ser completamente chata. Wonder World tem suas fillers, sim, mas elas são fáceis de ouvir e não atrapalham o fluidez do álbum como um todo. É um álbum onde a maioria das músicas teve o input individual das meninas – seja na composição, nos arranjos, na letra – fazendo dele pessoal, criativo e intransferível. Só o Wonder Girls poderia fazer um álbum como esse.

10 + 9,5 + 9 + 10 + 10 + 7,5 + 10 + 8,5 + 9 + 8 + 8,5 + 8 = 108 / 12 = 9