Wheesung lança seu sexto álbum coreano antes de partir para as terras do Tio Sam ao lado de Ne-Yo e cia. Quem não lembra, ele estava ativo no começo do ano com as promoções de Insomnia — versão coreana da música americana de mesmo nome, por Craig David.

O álbum abre com Over U. SUPER me lembra Ne-Yo — e eu gosto de Ne-Yo. O problema aqui é que Wheesung geme demais. Tipo, já entendi que você está so o~~over you, mas não precisa gemer tanto. Mas, felizmente, é aguentável. É uma faixa bem gostosinha de ouvir, apesar dos o~~over you da vida aqui e ali. R&B, batidinha, meio mid-tempo. Se a intenção era fazer música com sensação de chocolate, meio que conseguiu. Meio porque eu ainda meio que me encolho a cada o~~over you. Juro, é quase como passar unha no quadro negro.

Uma melodia meio emo de piano abre 사랑..그 몹쓸병 (Love.. The Bad Disease), típica baladinha. Pelo nome, já dá para ter uma idéia da dramaticidade da coisa. Mais uma vez, ele abusa de vez em quando de seu poder vocal — e, não, não é para bom. Do nada ele puxa uma nota alta e isso sinceramente me dá agoniaa. No mais, não é uma música marcante, muito menos inovadora. Suave, arranjos bonitos e tristes, voz de desespero e notas altas mal-posicionadas. Pulei.

주르륵 (Trickling) é a faixa single do álbum. Achei que vinha algo a la Insomnia (que é simplesmente fantástica), mas Trickling é mais puxada para o midtempo — com doses de emo, heartbreak, entre outros (sem esquecer os tchurururus nos refrões). Não é de forma alguma uma música ruim, mas também é bem fraca comparando com Insomnia, por exemplo. Apesar disso, me vi gostando da faixa depois de algumas ouvidas — deve ser esse tal vocal+chocolate. Para os que curtem o gênero (R&B mais depressivozinho), prato cheio. No meu caso, gostei — mas gostaria que, mais uma vez, as notas altas fossem esquecidas em algum lugar nos confins do mundo.

눈물 쏟고 또 쏟고 (Dripping and Dripping The Tears) é mais upbeatzinha, felizinha, apesar da letra ser provavelmente deprê (visto o título). Gostei dos arranjos mais coloridos do que das músicas anteriores e a voz dele me soou mais agradável aos ouvidos (mesmo as notas altas! — sim, elas estão por aqui ainda). Contudo, ainda é bem genérica e sem nada de especial. Acho que o efeito Insomnia vai acabar com essa review.

Mas então entra Rose e salva a review de afundar em uma nota vergonhosa. Bem popzinha, upbeat, com uns toques hip-hop bem de leve aqui e ali, a faixa é bem boa. Genérica até entrar o rap, que eu amei para sempre (não sei quem faz o rap, aliás. Pena!). Ela meio que salva o álbum da mesmice depressiva das faixas anteriores, o que é total plus, né. Me lembra vagamente 사랑은 맛있다♡ (Love is Delicious♡), do 5° álbum dele. Coloridinha. Gostei!

Pena que não continua no ritmo upbeat. Entra, então 네 심장이 쉬는 날 (The Day Your Heart Rests), balada de coração aflito que tem em praticamente todos os álbuns coreanos já feitos desde os primórdios da música pop mundial (sentiu a tensão?). Why so emo, kpop? Brincadeirinhas à parte, mais uma faixa que acho genérica e sem nada que me prenda a atenção. Muita depressão, muito desespero na voz. Ah, bom, isso pode ser visto como um ótimo ponto. Quer sentir a dor na voz de alguém? Ouça esta faixa. Os arranjos também não se diversificam muito, ficando naquela mesmice piano-percurssão-puxada-para-música-de-elevador.

Sinceramente? Adorei Alone, até chegar no refrão. Adorei tudo, os arranjos (principalmente os primeiros segundos), a batidinha midtempo puxada para R&B; mas não consigo gostar do refrão. Não sei porque. Meio música de restaurante, sabe? Porém, já fico mais do que feliz de ouvir algo mais felizinho em contraste com tanta depressão. O fade no final é a única coisa que eu tiraria — deixa a música tão… normal. Não gosto. Mas, no mais, é uma faixa boa. Não posso dizer que ela quebra barreiras musicais, mas é boa na medida do possível.

Show Me Girl é sexy, tem uma batida ótima e eu ameipor 10 segundos, até entrar uns arranjos meio anos 70 e estragar minha vibe. Ainda acho super sexy, com os versos sussurrados, mas sei lá. Os arranjos acabam com a música para mim, uma pena. É muito Continental. Gosto quando entra um solo de guitarra lá perto dos 3 minutos, dá uma diversificada bem interessante. No mais, é uma relação meio amor e ódio. Gosto, me lembra algo meio Michael Jackson-esco (… gosto de inventar palavras). Não gosto, os arranjos me irritam. Dá para entender?

Reação a One Kiss: AHHHHHHH FINALMENTE! Sim, sério. FINALMENTE, algo que prenda minha atenção e que eu realmente ouviria mais de duas vezes. Batidas eletrônicas pesadas durante os versos, que são mais puxados para o hip-hop, e mais leves e coloridinhas durante o refrão, que é bem popzinho. O rap é micro, mas é ótimo, dá um gostinho dos tempos de YG do Wheesung. R&B, batidas digitalizadinhas, rap — demorou oito faixas, mas finalmente algo que eu posso dizer que adorei.

Girls, para minha felicidade, segue essa coisa meio hip-hop, meio R&B, misturado com uma dose de batidinhas eletrônicas. Girls é mais ‘leve’ que One Kiss, não é tão agressiva. Mais sexy, talvez. Lembra bastante as músicas que tocam todos os dias na Jovem Pan, sabe (achei que era um featuring Flo Rida quando ouvi a voz do rapper, risos). Adorei até dizer chega, acho que é minha favorita do álbum.

사랑해.. (Love You..) chega para acabar com minha vibe do gueto com uma melodia doce de piano e a voz dolorosa do moço. Honestamente, o arranjo de piano sozinho com a voz do Wheesung fechou tão bem que nem fiquei irritada por perder meu lado yo para uma baladinha. A música é linda, doce, suave, transpira amor. Quando entram uns violinos para complementar o piano no final, fica ainda mais linda. Típica baladinha coreana, mas ao mesmo tempo, fantástica.

Tictoc, tictoc, tictoc… É assim que começa 타임머신 (Time Machine), faixa quase midtempo com arranjos mais acústicos do que das outras músicas. O violão dá um ar melancólico ao instrumental, seguido pela voz cheia de emoção de Wheesung. É uma faixa… triste. Não sei, mas eu fiquei triste enquanto ouvia. Dor no coração sem motivo aparente, sabe? Isso não é necessariamente uma coisa ruim. Baladinhas emo me irritam, mas essa… me deixou triste. Acho que cumpre seu propósito de música triste melhor que as outras. Principalmente no final, que o instrumental simplesmente para e parece que ele vai começar a chorar e… dor no coração, gente.

Wheesung não é nenhum novato, mas achei que esse álbum podia estar com mais cara de veterano do kpop. As faixas estão tão genéricas, que parece que você está ouvindo a mesma coisa em repeat eternamente — salvo algumas exceções, como Girls, que adorei. Fiquei totalmente impressionada com Time Machine, pelo simples fato de que eu senti a música, e não só ouvi. Mas não vou dizer que esse é um dos melhores álbuns de Wheesung porque está muito abaixo da média, na minha opinião — e porque ainda acho que os três últimos dele são bem melhores — mas acredito que, no final das contas, é sim um álbum bom. Podia ser melhor, mas não me importo que ele guarde o ‘melhor’ para seu debut americano. Não mesmo.

8 + 5 + 7,5 + 6 + 8,5 + 5,5 + 7,5 + 8,5 + 9,5 + 10 + 8 + 9,5 = 93,5 / 12 = 7,7